• Ana Vitória Magalhães

É preciso ligar o conhecimento científico ao mercado

Dentro do imaginário popular o cientista ainda ocupa o espaço do pesquisador de jaleco solitário que passa horas a fio sentado dentro de um laboratório. Vamos ser realistas: precisamos dos cientistas e precisamos de soluções de mercado baseadas na ciência. Este é o único caminho para construir uma sociedade sustentável.



Porque deveríamos ligar o conhecimento científico ao mercado?


Existem muitas ligações possíveis entre o mundo científico e o mundo empresarial, mas nem sempre estes dois mundos se conversam. Isto acontece porque cada profissional vive nas suas respectivas "bolhas".


Cientistas e empreendedores a primeira vista podem parecer muito diferentes, Enquanto um dedica a vida buscando a resposta para uma questão e escrevendo publicações, o outro se dedica a colocar a sua ideia em prática, aprender por tentativa e erro e vender soluções para o maior número de pessoas por um preço competitivo.


Porém as duas profissões também tem suas semelhanças. Cientistas e empreendedores são apaixonados por resolver problemas, cada um do seu modo - claro. Outro ponto é que os dois profissionais dedicam seu tempo para validar modelos criados com base nos dados disponíveis naquele momento.


As duas profissões tem desafios similares como sustentabilidade financeira. Em alguns países ao redor do mundo a ciência ainda é totalmente dependente de fundos públicos muito disputados e super burocráticos, na maioria das vezes difíceis de conseguir. As novas empresas por outro lado nem sempre são sinônimo de dinheiro uma vez que um terço das startups, morrem no primeiro ano de vida.



A ciência e o empreendedorismo resolvem problemas sociais


E muitas vezes ambientais. Hoje é muito comum o termo "empreendedorismo social", ou seja, empreendedorismo ligado a resolução de problemas sociais e ambientais, empreendedorismo com propósito.


Aqui não é apenas sobre ganhar dinheiro, mas sobre realizar uma missão com sentido, inspirar mais pessoas nesta jornada e trazer soluções que efetivamente melhorem a qualidade de vida dos usuários.


A ciência por outro lado transborda propósito. Já viu coisa mais nobre do que trabalhar buscando a cura do cancro? Ou mesmo dedicar a vida a entender a quantidade de plásticos existentes no oceano? Ou até mesmo, criar tecnologias para deixar o mundo mais sustentável?


Mas ei, espera, calma, nao se anime. Não é porque estes dois mundos estão cheios de propósito que é simples trabalhar nestes meios. Toda a labuta em cima de artigos científicos nem sempre é considerada pelo mercado.


Cientistas, mestrandos e doutorandos, ainda não sao vistos como trabalhadores nem pelas próprias instituições que trabalham (haja visto contratos precários). Em alguns países estes profissionais nem tem direito a condições básicas de trabalho como pagamento da segurança social pela entidade empregadora ou licença maternidade.


Um estudo realizado pelo Advancis Business Services indica que em Portugal apenas 3% dos doutorados e investigadores trabalham no contexto empresarial.


A maioria dos cientistas e investigadores se dedicam a desenvolver pesquisas dentro de centros de investigação ou instituições educacionais, o que os afasta de trabalhar em outros campos e afasta claro, melhores soluções do mercado. As empresas por outro lado ao contratar, procuram profissionais que também tenham experiencias empresariais, alimentando um ciclo sem fim.


Ou seja, mundos que nunca se encontram.



A maioria das empresas não faz ideia do que é produzido em termos de ciência



Quem nunca ouviu aquela historia: "na universidade era uma coisa, quando comecei a trabalhar, vi que era tudo diferente". Isso é de fato verdade e parte deste fenômeno acontece porque durante muitos anos a investigação feita dentro de universidades era feita de par para par, ou seja: de cientistas para cientistas.


Cientistas nem sempre são bons comunicadores, isso é um fato. E ainda hoje pouco é dedicado a comunicação de ciência para diferentes parcelas da sociedade. A ciência ainda fica codificada atrás dos muros da Universidade, o que significa que não é acessível a maioria as pessoas.


Pense bem: quantos cientistas vc conhece que apresentam um programa na televisão? Ou quantos cientistas estão hoje no Youtube? Eu conheço um. Máximo dois.


Não é sobre vulgarizar a ciência - mas é sobre pulverizar o conhecimento a mais pessoas, sobre desmistificar o que é o método cientifico. Vamos lembrar que estamos em 2020 e ainda agora existem Terraplanistas: ou seja, sempre existe espaço para melhorar a divulgação cientifica.


A internet hoje tem mais de 3.9 bilhões de usuários ativos que rolam cerca de 90 metros de feed de Instagram TODOS OS DIAS, e...


AINDA, a comunicação de conteúdo científico por ali é inexistente.


Pequenas empresas poderiam se beneficiar infinitamente do conhecimento científico. Imagina como o mundo seria melhor se vários empresários entendessem que é possível vender produtos com menos plástico. Se mais empresas vendessem produtos locais. Imagina como seria o mundo se todo mundo soubesse que energias fosseis estão a poluir a atmosfera.


Eu penso que se ciência fosse melhor disseminada, o mundo seria melhor.



Ciência + empreendedorismo = combinação explosiva



Em alguns lugares do mundo como os Estados Unidos, essa combinação é comum, ali até crianças são incentivadas a empreender.


Em outros lugares ainda existe empreededo-fobia, ou aquela fobia de ouvir falar em abrir um negócio próprio. A fobia, não ajuda, na verdade atrapalha bastante . No mundo onde ciência e empreendedorismo conversam, é um mundo onde soluções sustentáveis saem do papel e conquistam novos patamares. Se tornam acessíveis ao bolso de mais pessoas.


Vamos falar a verdade: quantas vezes você deixou de comprar uma coisa sustentável porque ela era cara? Eu deixei varias vezes. É aqui que a combinação entra. Porque é possivel usar novas tecnologias para criar produtos acessíveis a todo mundo.


Sustentabilidade não é sobre restringir opções inteligentes a um nicho de mercado - é sobre sobrevivência no planeta Terra. É sobre democratizar a sustentabilidade e o acesso a opções ecológicas.


Esta mensagem os cientistas ja entenderam. Agora falta tirar o conhecimento dos artigos, testar e colocar em prática. E esse recado, o mercado entende perfeitamente.


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Fontes:


https://visao.sapo.pt/exame/2015-11-01-Cientistas-mais-proximos-do-mundo-dos-negocios/


https://observador.pt/opiniao/empresas-e-universidades-uma-relacao-win-win/



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