• Ana Vitória Magalhães

Esse post é um desabafo: O que o coronavírus me ensinou

Preciso desabafar com vocês e contar algo que eu já imaginava há algum tempo. Mas para isso tenho que voltar no tempo. Em novembro de 2018, eu decidi mudar completamente o rumo da minha carreira. Eu trabalhava como consultora em comunicações para grandes organizações, e não estava feliz..




O QUE ISSO TEM A VER COM O VIRUS?


Calma, vou contar. Eu já tinha encontrado o que eu queria fazer, trabalhar com comunicação do meio ambiente, mas sentia que estava a mentir pra mim mesma. Eu sabia que as grandes organizações não estavam nem aí para sustentabilidade de verdade, já dava para perceber a muito tempo pelo estado em que as coisas estão, bastava ler um relatório.


Bem antes da Greta Thunberg aparecer, eu já tinha feito em estágio em um monte de lugares diferentes desde Bruxelas a Açores, e tinha percebido que os jovens ali na esfera internacional, eram invisíveis e tratados como lixo. E nesta época em 2018, eu tinha conseguido um contrato dos “meus sonhos”, entre aspas mesmo porque vi que não era nada disso. Acontece que eu estava muito infeliz.


Eu tinha todas as técnicas de comunicação na mão, um método todo, de anos de estudo e especialização, mas as pessoas que eu trabalhava na época não eram pessoas, eram máquinas. Eram pessoas que tinham trabalhado a tantos anos em organizações mecânicas e burocráticas que já nem sabiam mais o que era empatia. Que estavam a tanto tempo em ambiente tóxico que nem elas sabiam mais o que era que fazia mal ao outro, e achavam aquele teatro todo, super normal. E eu tinha varias ferramentas que queria aplicar com eles, mas não conseguia, ninguém estava aperto para isso.


Para quem não sabe, meus métodos de comunicação são um bocadinho... disruptivos, e eu preciso da abertura dos clientes para o trabalho fluir de forma natural e consequentemente criar projetos autênticos e com identidade.

Eu sempre fui muito questionadora. Foi nessa época que eu fui para Indonésia para um forum sobre empreendedorismo e oceano. Eu já estava do saco cheio, querendo tacar o foda-se a muito tempo, mas ainda não tinha coragem de fazer uma mudança radical na minha vida. Mas foi ali naquele fórum, que a coisa toda mudou.



O forum pra começo de conversa tinha sido organizado por uma menina de 25 anos, americana. Lembra que eu tinha dito que os jovens eram tratados como lixo na esfera das políticas internacionais? Pois é, essa menina muito jovem, chegou quebrando tudo em um ambiente internacional onde dinossauros comandam a muitos anos. O fórum falava de algo totalmente novo. Como ser um empreendedor do oceano... Como assim, era isso que eu estava fazendo! Era o fit pra mim.



Esse dia eu criei textão pra internet. Bali, novembro de 2018.

Dentro dessa uma semana na Indonésia, eu fui treinada, tive aulas muito profundas sobre os problemas do oceano, e as soluções, tive contato com pessoas que eu sempre admirei como Diana Cohen, Ellen Mac Artur e conheci até o diretor de sustentabilidade da Coca Cola #credo. Vi até uns politicos passando do meu lado, mas nao tive estômago e a digestão ficou comprometida com o descaso. Enfim, eu, Ana Vitorinha tinha conseguido participar desse fórum incrível onde tive contato com um monte de gente foda.



Voltei pra Lisboa. Pronto, agora eu já sabia de muita coisa. Não tinha como ficar quieta mais. Criei um canal no YouTube, comecei a falar para o vento porque eu tinha 0 inscritos nessa época. Comecei a usar o meu Instagram pessoal para falar sobre jovens, empreendedorismo e oceano. Sobre plásticos, acidificação do oceano e outros problemas que vão afetar o meu futuro.

As pessoas do meu network do oceano diziam: pra que você vai perder tempo com isso? Ninguém usa o digital para procurar esses assuntos, internet é uma besteira.

Eu sempre soube que a internet não é uma besteira, primeiro porque vivi a internet em casa desde seus primórdios com meu pai que foi uma das primeiras pessoas do Brasil a vender alguma coisa pela internet. Eu sabia o potencial de escalar que a internet tinha, eu tinha vivenciado essa transição toda durante a minha vida. Eu sabia que era possível empreender com pouco dinheiro, apenas investindo no digital, tinha escala, dava para ensinar pessoas e ganhar dinheiro também.





E ainda tinha gente que me dizia: canal no YouTube é besteira, ninguém vai ver, esse assunto não é interessante, ninguém se interessa por meio ambiente. Enquanto isso, lembra das grandes organizações? Elas estavam gastando milhões literalmente para fazer campanhas digitais que não funcionavam, que tinham 200, 300 views no YouTube e que não viralizavam.


Eu não parei. Continuei a fazer meus vídeos para o YouTube, dois por semana. Criei o blog, passei a atender pequenos empreendedores para as consultorias e transitei de grandes clientes para os pequenos. Descobri a força potente dos pequenos, a paixão que tem nos olhos, aquele mesmo propósito que eu tinha vivenciado a vida inteira em casa, quando meu pai ficava todo feliz que tinha vendido algum projeto na intenet. Vi que esse lugar, da internet fazia todo sentido pra mim, trabalhar aqui, era o que fazia sentido. Afinal não tinha ninguém fazendo ainda, oceano, empreendedorismo e internet, isso era muito novo.


Foi aí que esse ano de 2020, depois de uma estrutura montada, clientes e consultorias,, em meio a um desânimo de criar vídeos e produzir conteúdo, em uma época muito cheia de trabalho, o coronavírus chega no mundo. Um vírus que começou lá na China e fez o mundo ficar em quarentena.


* LAVOU AS MÃOS HOJE?! PARA TUDO E LAVA.


Hoje enquanto você le esse post, mais de 3 bilhões de pessoas estão nas suas casas. Muitas não tem esse privilégio, mas imagina o que são 3 bilhões de pessoas, paradas, sem se mover pra lá e pra cá, em casa, tendo que olhar para os seus problemas que elas sempre fugiram, porque elas se refugiaram no trabalho para esconder toda a insatisfação da vida.


Agora não tem mais jeito. Precisamos encarar a situação. O coronavírus joga na nossa cara muitas verdades.

A verdade de que

  • Estamos a destruir a natureza em um ritmo impensável

  • Estamos a desrespeitar esse planeta de forma a criar novas doenças

  • Estamos a fazer vista grossa para os problemas ambientais a muito tempo

  • As nossas grandes instituições estão incapacitadas de lidar com qualquer problema e isso vai ser pior com as mudanças do clima

  • Estamos a muito tempo vivendo no cinismo de fingir que protegemos o ambiente quando na verdade tudo isso acontece no mundo da fantasia

  • Os nossos políticos não sabem nem o que estão fazendo da própria vida, quanto menos da vida dos cidadãos que eles regem





  • Estamos todos conectados mesmo que isso pareça uma frase de woodstock

  • Vivemos em um sistema capitalista selvagem que precisa mudar, nem que seja a força para um sistema colabortivo e consciente

  • O planeta não está nem aí para você e a vida na Terra segue mesmo sem os humanos, assim bem simples

  • O planeta terra é um sistema poderoso

  • Vamos viver uma crise e recessão de maneira épica e muito trágica para os pequenos empresários (os mesmos que rejeitamos na políticas públicas e que empregam milhões de pessoas)

  • A ciência não resolve absolutamente tudo e uma vacina ainda vai demorar para sair

  • Possivelmente seremos contaminados pelo vírus, e quem for forte o bastante... vai sobreviver no pior dos cenários

  • NADA DAQUI PARA FRENTE VAI SER COMO ANTES.


se quiserem entender este meu ponto de vista recomendo que vejam o vídeo do Átila no YouTube. https://youtu.be/zF2pXXJIAGM

NADA VAI SER COMO ANTES. Tudo vai mudar. Inclusive a economia.

Que choque de realidade.

Eu realmente acho que essa doença calhou na época em que nos humanos, desrespeitamos o planeta de forma épica. A poucos dias eu tive uma reunião para impedir a MINERAÇÃO NO FUNDO DO MAR. Gente, hello. Século XXI, temos que falar de ECONOMIA CIRCULAR e não sistemas destrutivos.




Sabe porque o coronavírus apareceu ? Sabe porque a AIDS apareceu? Porque a SARS Apareceu?


Todos estes vírus estão ligados a nossa invasão. Nós invadimos os habitats de outros animais, desrespeitamos estes ambientes e fazemos com que esses vírus que antes estavam em um sistema fechado, dos animais selvagens, se espalhem para a sociedade. Nos humanos não temos imunidade contra esses vírus, então muita gente, não consegue sobreviver, porque inevitavelmente, todos vamos pegar o virus um dia. Nossos sistemas de saúde são falhos, sucateados. Não demos atenção a isso, e agora não temos capacidade para a demanda de doentes.


Está é a dura realidade e está a ser esfregada nos nossos olhos todos os dias. Porque precisamos aprender que criar convenções internacionais que proíbem o tráfico de animais é importante, assim, na força? Da minha cabeça não sai a imagem dos caminhões levando pessoas que não resistiram ao vírus na Itália. Tudo isso porque fomos incapazes de assinar uma convenção, negociar com políticos, proibindo o tráfico de animais a ser realizado, proibindo a venda de animais. Falhamos.


Precisamos viver o inferno para perceber que criar hospitais tem que ser prioridade, antes de criar estádio de futebol.



Poderíamos ter feito muito mais.


Lembra que eu falei que eu estava do saco cheio das grandes organizações ? Era por isso. Pelo cinismo de que “isso não é tão grave”. O cinismo de criar um discurso lindo, que na prática não funciona, e que essa pessoa que escreveu (provavelmente um estagiário que não era pago) nem acredita de verdade. O cinismo de que as mudanças do clima, ainda vão demorar muito para acontecer.


Essa crise toda esfregou na nossa cara que o digital, é importante. Que precisamos adaptar os nossos negócios ao digital. Os nossos trabalhos. JÁ PASSOU DA HORA. Nós não precisamos de tantas reuniões presenciais. Nem tantas viagens inúteis de negócios. Não precisamos de poluir tanto o ambiente com nossos combustíveis de origem fóssil. Podemos fazer muita coisa no online. Se salva tempo, dinheiro, planeta, vida.


A EDUCAÇÃO PELO AMOR DE DEUS. A educação precisa mudar. Não da mais para criar esse sistema industrial de escola, onde informações são vomitadas nas crianças que tem que decorar tudo. Decoreba não dá, não dá em um mundo onde o trabalho mudou, a vida mudou e a escola continua igual a época dos meus avós. Temos que mudar o sistema, se lembre de que nada vai ser como antes.



Lembra quando eu falei que tinha feito o canal do YouTube e um monte de gente veio me criticar? Hoje essas pessoas estão desesperadas porque não sabem adaptar o seu trabalho para o digital. Eu sabia. Na verdade da quarentena eu continuei a atender meus clientes normalmente, eu soube antecipar e me adaptar, a dois anos a essa realidade.

Eu já perdi as contas de quantas vezes fiz reuniões aqui em Lisboa e não fui levada a a sério porque disse que tinha um canal no YouTube. Primeiramente porque as pessoas ainda associam o YouTube a memes, ou porque elas realmente não sabem usar a internet. Século XXI e temos pessoas que podem, tem o privilégio DE, mas não sabem usar a internet.




Nós, os ativistas, os pequenos empreendedores ambientais, TEMOS QUE INVADIR ESSE ESPAÇO. Precisamos conquistar a internet, dominar a sua linguagem, os seus memes, o seu universo, para espalhar aqui as nossas informações de forma eficaz e atingir pessoas. É nisso que tenho trabalhado todos os dias nas minhas consultorias com pequenos negocios: VCS PODEM DOMINAR O MUNDO e mudar a economia.


Não adianta ter um blog rígido: ninguém vai ler. Mude, faça isso ser divertido. Entretenimento digital é educação. É a nova indústria criativa do século XXI. Hoje a competição por atenção na internet é desleal, vocês tem que se adaptar. Grandes organizações, governos, ESCOLAS. Vocês precisam acordar e se adaptar.


O coronavírus deu um grito para a internet. Acontece que a maioria das pessoas que trabalha com ambiente ainda não sabe usar esse espaço, usa errado. Não tem audiência, fala de forma agressiva, erra na mão, ofende.

Comunicação. A chave muda aqui.


A crise e a futura recessão que vão vir acompanhadas do surto da doença, vão nos ensinar a duras penas que o digital é importante. Estamos falando aqui da próxima revolução do trabalho.



As organizações que não souberem se adaptar, vão perder. As pessoas que puderem e não souberem se adaptar, vão perder trabalho.


Estamos falando aqui de uma oportunidade enorme para criar uma nova economia. Um lugar onde se trabalha por paixão, propósito, onde dinheiro é consequência e não causa. De colaboração no lugar de competição. De projetos sustentáveis, da sustentabilidade acima de tudo, do equilíbrio.


Vamos falar sério mas o sistema que criamos, uma sociedade desequilibrada, não tinha como dar certo. Para começar que o balanço de poder é desigual. Precisamos de mulheres no poder, em altos cargos. Apenas 29% dos cargos de alto poder são ocupados por mulheres no mundo ! Como que essa sociedade pode ser equilibrada?


E estamos aqui para mudar isso.

Após guerras, tragédias e eventos fatídicos como o vírus, aprendemos. Aprendemos a duras penas a nos adaptar, mudar, resistir, deixar de lado aquilo que não é prioridade, mudar nossas prioridades.

O coronavírus esfrega na nossa cara que é impossível se refugiar dos problemas de casa no trabalho: agora estamos todos dentro de casa, encarando nossos problemas com nossas famílias. Aqueles mesmo que a gente esconde e prefere não ver porque está muito ocupado “trabalhando”.

Esfrega que é impossível ignorar a desigualdade social: neste momento eu não consigo parar de pensar em quem não tem acesso a água para combater o vírus fazendo o gesto mais simples: lavando as mãos.


Falhamos aqui.


Nosso sistema falhou e precisamos de um novo, precisamos de uma economia regenrativa, humana, precisamos ser criativos. Nada vai ser como antes.


Falhamos também em pensar que não somos parte da nataureza.

Somos natureza.

Estamos todos conectados.


E a internet, é onde a próxima revolução vai ser feita, você querendo ou não.


#novaseconomias #coronavirus #covid_19


Fontes e inspirações para o texto


https://youtu.be/zF2pXXJIAGM


https://youtu.be/yObNLfVWpco

https://youtu.be/7EQ6lD6vyX4


https://youtu.be/QzsSNnwQ5Ck



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